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e outras qualquer coisas
A pulga



Repara nesta pulga e apreende bem 
Quão pouco é o que me negas com desdém. 
Ela sugou-me a mim e a ti depois, 
Mesclando assim o sangue de nós dois. 
E é certo que ninguém a isto alude 
Como pecado ou perda de virtude. 

Mas ela goza sem ter cortejado 
E incha de um sangue em dois revigorado: 
É mais do que teríamos logrado. 

Poupa três vidas nesta que é capaz 
De nos fazer casados, quase ou mais. 
A pulga somos nós e este é o teu 
Leito de núpcias. Ela nos prendeu, 
Queiras ou não, e os outros contra nós, 
Nos muros vivos deste Breu a sós. 

E embora possas dar-me fim, não dês: 
É suicídio e sacrilégio, três 
Pecados em três mortes de uma vez. 

Mas tinges de vermelho, indiferente, 
A tua unha em sangue de inocente. 
Que falta cometeu a pulga incauta 
Salvo a mínima gota que te falta? 
E te alegras e dizes que não sentes 
Nem a ti nem a mim menos potentes. 

Então, tua cautela é desmedida. 
Tanta honra hei de tomar, se concedida, 
Quanto a morte da pulga à tua vida. 

John Donne

    1. Timestamp: Sunday 2011/09/25 13:08:00